| Sex, 04 de Fevereiro de 2011 15:16 | |||
![]() Estimativas do Número de Unidades Motoras em Atletas Másteres: Use-a ou perca-a!
Sarcopenia é um termo conhecido como a perda da força e massa muscular que acompanha a idade. Esta deterioração do sistema neuromuscular que acompanha a idade é acentuada à partir da sexta década de vida, levando à uma significante perda de força e potência muscular, e em última instância, fragilidade funcional (Vandervoort 2002.). Os mecanismos que levam a sarcopenia são multifatoriais, incluindo aí os efeitos endócrinos, inflamatórios, nutricionais, genéticos além do nível de exercício ou atividade física. Um dos fatores que contribuem com a perda de força e massa muscular que acompanha a idade é a perda de unidades motoras (UM) funcionantes (Tomlinson & Irving 1977), as quais se destacam a partir da sétima década de vida. Unidade motora é um neurônio motor alfa, e todas as fibras musculares inervadas por ele. O início da perda de UM é freqüentemente indetectável devido à preservação de força e massa muscular (McNeil et al. 2005). Isto ocorre devido ao processo de reinervação colateral, onde os neurônios motores saudáveis (freqüentemente aqueles neurônios de fenótipo lento que inervam as fibras do tipo I, lentas e resistentes à fadiga) brotam novos axônios que reinervam as fibras musculares que fora desnervada (frenquentemente as fibras do tipo II, rápidas e fatigáveis) pelos neurônios motores de fenótipo rápido. Isto resulta em mudança do fenótipo das fibras musculares, que antes eram rápidas para um fenótipo lento (Gordon et al. 2004). Estes estudos explicam em parte porque os indivíduos idosos têm menor força, potência, agilidade, etc, pois estas pessoas encontram-se numa situação de perda de UMs de fenótipo rápido, e estas UMs são essenciais para a realização destas capacidades físicas. Isto levanta a seguinte questão: como prevenir ou atenuar a sarcopenia, a perda de UMs, e conseqüentemente, a perda de força e massa muscular que acompanha a idade? Estudos iniciais utilizando modelo experimental animal têm demonstrado que ratos idosos fisicamente treinados tinham maior número de UMs quando comparados aos ratos sedentários controles, sugerindo que o exercício físico realizado cronicamente poderia preservar a função das UMs que acompanha a idade (Kanda & Hashizume 1998). Os resultados deste estudo levantam uma segunda questão: quais seriam os efeitos do exercício crônico sobre a função das UMs em humanos? Um estudo recente estimou o número de UMs do músculo tibial anterior de atletas corredores másteres (~65 anos) e, comparou os valores com jovens recreacionalmente ativos (~25 anos) e indivíduos idosos saudáveis controles (~65 anos). Este estudo encontrou que o número de UMs não diferiu entre os atletas corredores másteres e os jovens (figura 1a), mas este número foi significativamente menor em idosos controles (91±22 UMs) quando comparados aos atletas másteres (140±50 UMs) e os jovens saudáveis (150±43 UMs). Os resultados deste estudo demonstram que o exercício ou atividade física de moderada a alta intensidade ao longo da vida poderia potencialmente mitigar a perda de UMs associada com a idade avançada próxima da sétima década de vida (Power et al. 2010). Sendo assim, estes resultados nos mostram o quanto é importante manter-se ativo fisicamente ao longo da vida para prevenir ou atenuar os efeitos deletérios da idade avançada sobre o sistema neuromuscular, o qual tem impacto direto sobre a saúde e qualidade de vida da pessoa, além de permitir uma maior independência funcional.
Juliano MachadoMestre em Fisiologia da Performance (UFPR)
Referencias
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