Seg, 29 de Agosto de 2011 12:47

IRONMAN 70.3 BRASIL 2011.

 

DECEPÇÃO - Ironman 70.3 Brasil 2011

Decepção, este é meu sentimento após completar o Ironman 70.3 Brasil 2011. Não pelo meu desempenho, pois atingi a minha meta e fiz tudo que esperava. Estava 3 anos afastado das competições e resolvi comemorar meus 18 anos de envolvimento com o triatlo

voltando a competir. Num prazo de dois meses voltei aos treinos e escolhi o IM70.3 como evento, afinal esta é uma prova que guarda, ou melhor, guardava as raízes da modalidade. Uma prova que era para ser sem vácuo. Aí esta a minha decepção. Pelotões imensos, sendo conduzidos pelos atletas de maneira descarada e uma arbitragem incapaz de conter tal atitude de uma grande parcela dos atletas. Acredito que poucos como eu não se sujeitaram `a tal atitude antidesportiva e ofensiva ao regulamento. Indignado gritei muito com todos os pelotões que passavam por mim, e ouvi as mais absurdas justificativas, se é que existe alguma justificativa  para burlar uma regra.

Não me sinto lesado no ponto em que poderia ter pedalado ou corrido melhor se não houvesse o vácuo desta grande massa, até porque fiz tudo o que estava proposto a fazer. Me sinto lesado pelo comportamento egoísta, antiético destes “atletas” que se aproveitam de uma situação favorável `a eles para se beneficiar e assim levar vantagem sobre os demais competidores (alguma diferença para o doping?).
A organização falhou?
A prova estava muito bem organizada, mas falhou e feio neste ponto por não estar preparada para conter a atitude destes atletas. E não adianta o organizador (Carlos Galvão) se desculpar , afirmando que isto acontece no mundo todo e que vai da consciência de cada um. A fiscalização e controle das regras é papel da organização, e se não está sendo suficiente que se coloquem mais árbitros  e os capacite mais! Invi$ta no evento, e não vise somente o lucro , dando um tapinha em nossas costas dizendo que “acontece”!
Se formos contar com a índole dos atletas estamos perdidos, pois neste caso “o crime compensa”.
A conta é simples, se você está num pelotão gigante daqueles, vai fazer seu ciclismo no mínimo 15 minutos mais rápido, sem contar que vai chegar mais descansado para correr. Se, na pior das hipóteses for penalizado, vai ficar 5 minutos descansando, hidratando-se, alongando antes de correr. O saldo são 10 minutos a menos no pedal e uma corrida tranquila.
A organização é sim responsável pelo que aconteceu, tanto quanto os atletas anti-éticos. Nós pagamos e caro por um produto (uma prova limpa e livre de vácuo), e não recebemos aquilo que compramos. Sei que, talvez, o Galvão estivesse indignado com tal situação, pois o ví circulando com sua mega moto pelo percurso, e até arbitrando, coisa que não é papel dele. Mas esta atitude por pouco não causou uma tragédia com uma das líderes da prova feminina.

Existem inúmeras maneiras para se melhorar uma prova e coibir o vácuo. Não sei por que não buscam fazê-las. Talvez pela passividade dos lesados. Mas quem quer fazer uma prova boa deve buscar ouvir `a todos e principalmente buscar as soluções para os problemas e apresentá-las para seus clientes.
Eu nunca vi uma caixinha de reclamações, nem ouvi falar de um sistema aplicado pela empresa para mensurar a qualidade dos seus eventos. Como as inscrições tem se esgotado em tempo recorde, devem pensar que é maravilhoso, sempre.

Seria muito mais digno ouvir na premiação simples palavras do tipo: ”estamos insatisfeitos com o que ocorreu e vamos investir para que no próximo ano isso não volte a acontecer. Faremos o que for necessário.”

Ivan Razeira
Triatleta desde 1993
Graduado em Educação Física e Desportos – UDESC 2002
Pós Graduado em Treinamento desportivo – UNIGRANRIO 2006
Coordenador Técnico da Companhia da corrida - Assessoria esportiva

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